O cancelamento do debate da Rede Globo foi o fato político que marcou a quinta-feira da campanha presidencial. Vários presidenciáveis que tinham participação prevista — entre eles Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema — viram a comparação televisiva ser eliminada da agenda, enquanto outros optaram por transmissões ao vivo, entrevistas em podcast e atos presenciais.

A decisão da emissora ocorreu no mesmo dia em que um ministro do STF determinou, em caráter liminar, que um dos candidatos tivesse assegurada participação, o que acrescentou dimensão judicial ao imbróglio. Flávio Bolsonaro desistiu do debate e usou seu perfil no Instagram para criticar a influência da Justiça Eleitoral e qualificar o episódio como censura; a narrativa alimenta disputas sobre liberdade de expressão e papel das instituições no processo eleitoral.

No cenário prático, a ausência do debate reduz as oportunidades de confronto direto entre propostas e favorece formatos alternativos de comunicação. Lula, por exemplo, concedeu longa entrevista no Flow Podcast, defendendo uso de receitas do pré-sal para educação e propondo mudanças na forma de escolha de ministros do STF. Outros candidatos concentraram-se em agendas locais ou em interlocução com observadores internacionais, como reuniões com missão da OEA.

A posição final da televisão e da Justiça sobre debates públicos tende a repercutir no julgamento do eleitorado: além de gerar desgaste para atores envolvidos, a ruptura do formato tradicional obriga campanhas a repensarem estratégia de exposição e confronto — e deixa o eleitor com menos elementos diretos de comparação entre projetos e personalidades.