Uma tese da PUC Minas aponta como decisiva a combinação entre o lobby de empresas de apostas sediadas no exterior e a estratégia parlamentar de inserir o tema em medidas provisórias para viabilizar a legalização das apostas esportivas online no Brasil. O trabalho, aprovado em março de 2025, mapeou entrevistas com 14 representantes da indústria, do Legislativo e do Executivo para reconstruir esse processo.
Segundo o pesquisador, projetos apresentados em 2014, em 2016 e no começo de 2018 não avançaram em razão do forte estigma dos jogos de azar e da resistência de bancadas religiosas e setores como o Ministério Público. A virada ocorreu quando o tema passou a ser tratado prioritariamente como fonte de receita pública e foi 'pegado carona' em propostas maiores — o chamado 'jabuti' — reduzindo o debate sobre riscos sociais e institucionais.
A investigação destaca também o papel de eventos internacionais, como o ICE Totally Gaming, e encontros nacionais que funcionaram como ponte entre operadores globais e atores políticos brasileiros. Empresas já atuantes em outros mercados e com alto poder financeiro teriam usado essa proximidade para influenciar a agenda e ampliar aceitação, inclusive por meio de visibilidade em patrocínios esportivos.
Do ponto de vista político e institucional, o diagnóstico levanta preocupações sobre como temas sensíveis foram diluídos na lógica fiscal e legislativa. A pesquisa não declara intenções partidárias, mas expõe um método de aprovação que reduz a transparência do processo e pode repercutir em demandas por revisão regulatória e maior controle sobre a influência de grupos estrangeiros nas políticas públicas.