O empresário Luciano Hang, proprietário da rede Havan, mudou a estratégia de apoio eleitoral em 2024. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultados até segunda-feira (28/9) mostram que, ao contrário de 2022, quando destinou pouco mais de R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, agora concentrou R$ 400 mil em repasses a sete candidatos a deputado, sem registros de doações a presidenciáveis até a data consultada.
As contribuições foram distribuídas entre quatro estados. Em Santa Catarina, três candidatos receberam recursos: João Baptista Martins Neto (PSD) teve R$ 100 mil, enquanto Ricardo Soares de Oliveira (Novo) e André Batisti (PL) receberam R$ 50 mil cada. No Paraná, Paulo Eduardo Lima Martins (Novo) e Reinhold Stephanes Junior (PL) foram beneficiados com R$ 50 mil cada. Carlos Enrique Franco Amastha (Podemos) recebeu R$ 50 mil no Tocantins, e Zé Humberto (MDB) teve R$ 50 mil no Distrito Federal.
A mudança aponta para um deslocamento do apoio de uma aposta concentrada em um candidato presidencial para uma estratégia dispersa em bancadas legislativas estaduais e federais. Esse tipo de pulverização reduz a visibilidade nacional do aporte — no caso de 2022, a doação a Bolsonaro teve efeito simbólico forte — e pode ser interpretada como tentativa de ampliar influência local e diversificar apoios em diferentes legendas e regiões.
Do ponto de vista político, a opção tem efeitos concretos: reforça candidatos que poderão atuar em assembleias e na Câmara, preserva interlocução com múltiplos grupos partidários e minimiza o risco de vinculação exclusiva a um projeto presidencial. Os dados do TSE configuram um retrato do momento; novas movimentações financeiras nas próximas prestações de contas podem alterar o cenário.