O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em Brasília, da cerimônia dos 100 dias do Pacto Nacional de Combate ao Feminicídio, coordenado pela primeira-dama Rosângela (Janja). Além do chefe do Executivo, o evento reuniu o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do STF, ministro Edson Fachin. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, esteve ausente; sua assessoria informou compromissos pessoais no horário.

O grupo responsável pelo pacto destacou medidas imediatas, entre elas um mutirão nacional que, segundo balanço oficial, levou a mais de 6,3 mil prisões de agressores. Lula comemorou o ritmo de execução e atribuiu ao pacto um avanço rápido no enfrentamento à violência contra a mulher, defendendo que a combinação de proteção e confiança estimula denúncias. A cerimônia serviu também para dar visibilidade política a ações do governo e ao papel da primeira-dama.

Hugo Motta usou o espaço para listar ações aprovadas pela Câmara — como uso ampliado de tornozeleira eletrônica, tipificação da violência vicária e programas de amparo às vítimas, incluindo a Sala Lilás e casas de abrigo — e lançou a redução da jornada como instrumento de combate à violência de gênero. Ainda assim, a proposta que trata da jornada, associada à PEC sobre escala 6x1, enfrenta impasses e teve prazos de relatório adiados, o que revela limitações legislativas para transformações rápidas.

A cerimônia tem efeito simbólico e político, mas levanta um nó prático: prisões e medidas pontuais são necessários, porém insuficientes sem implantação sustentada, financiamento e fiscalização continuada. A ausência de Alcolumbre e os adiamentos legislativos expõem uma agenda que, embora celebrada, ainda precisa vencer resistências e se traduzir em políticas públicas com cronograma e recursos claros. O desafio agora é converter impulso retórico em resultados duráveis para as mulheres.