O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu São Bernardo do Campo para lançar oficialmente a campanha de reeleição, em um ato realizado no Estádio da Vila Euclides. A presença de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) no palanque paulista trouxe duas virtualidades importantes: mobilizar a base ambientalista e progressista e tentar ampliar apelo no eleitorado de centro em um estado decisivo para 2026. As candidatas ao Senado pediram voto uma à outra e no presidente para o primeiro turno, em 4 de outubro.
Simone Tebet, que transferiu seu domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, aproveitou o espaço para marcar distinções com a direita e reforçar a defesa de programas sociais implementados por governos petistas, como instrumentos de proteção social. Criticou manifestações que, segundo ela, colocaram símbolos estrangeiros em protestos e questionaram o papel de instituições como o Supremo, enquadrando o discurso adversário como um risco à soberania.
Marina Silva pediu que o campo progressista entre em um “estado permanente de campanha” e aproveitou para ampliar a pauta do dia: além de pedir votos para si e para Tebet, fez apelo a eleitores por Fernando Haddad ao governo de São Paulo e por nomes da esquerda nas câmaras. Ao mesmo tempo, ela enfatizou a defesa dos biomas e criticou propostas que, na visão dela, ameaçam as políticas que reduziram a pobreza e frearam o desmatamento.
O ato em São Bernardo tem leitura política clara: busca consolidar uma frente progressista em um epicentro simbólico do petismo e projetar força em São Paulo, onde a disputa será estratégica. Há ganhos táticos — a união pública de figuras com perfis distintos —, mas também riscos eleitorais e narrativos: a necessidade de traduzir apoio de palanque em votos, manter coesão numa coligação plural e evitar que o discurso polarize a disputa sem ampliar efetivamente o eleitorado. A escolha pela ritualização da campanha desde já aponta para um ciclo longo de mobilização, com impacto direto na estratégia eleitoral e na dinâmica política do próximo ano.