A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral, nesta quinta (22), documentos necessários para o levantamento dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do chefe do Executivo. A medida, alinhada ao desafio público feito por Lula para que o adversário fizesse o mesmo, foi apresentada como passo para reforçar uma narrativa de transparência e transferir o foco da disputa para o campo das provas documentais.

Em resposta, a equipe do senador Flávio Bolsonaro informou que só aceitará a suspensão dos seus sigilos após análise dos documentos entregues pelo presidente. A advogada do senador, Maria Claudia Bucchianeri, condicionou a entrega a esclarecimentos sobre patrimônio, uso de cartão corporativo e circulação em palácios presidenciais — uma lista de exigências que desloca o embate para um confronto técnico e ganha tempo político para o PL.

Nos bastidores, a abertura dos sigilos de Lula ganhou dimensão estratégica diante de investigações em curso que envolvem Flávio, entre elas apurações da Polícia Federal sobre uma transferência de R$ 134 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para possível financiamento de uma produção cinematográfica ligada a Jair Bolsonaro. O caso segue sob investigação, sem conclusão sobre irregularidades, mas passa a ser peça de pressão na reta final.

O movimento altera a dinâmica dos próximos dias: além de elevar a temperatura do confronto, a troca de iniciativas força as campanhas a operacionalizarem provas e contra-provas antes do debate televisivo previsto para sexta-feira. Politicamente, a iniciativa de Lula acende alerta para o adversário e complica a estratégia de quem passou a exigir garantias formais antes de abrir mão de sigilos — um sinal de desgaste e de disputa por agenda nos minutos finais da campanha.