Uma pesquisa do Instituto Vox Brasil, divulgada nesta sexta-feira (5/6), mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42,1% das intenções de voto no cenário de primeiro turno, ante 33,6% do senador Flávio Bolsonaro (PL) — vantagem de 8,5 pontos percentuais. O levantamento, feito entre 1º e 3 de junho com 2.100 eleitores, tem margem de erro de 2,15 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número BR-08016/2026.

O levantamento revela uma mudança de ritmo nas últimas semanas: Lula avançou de 34,3% em 14 de maio para 42,1% nesta rodada; Flávio oscilou de 36,5% para 33,6%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro com 6,9%, também em trajetória de crescimento. Esses movimentos expõem um deslocamento de intenções que favorece o atual presidente e reduz o espaço para uma candidatura única da linha bolsonarista no curto prazo.

Nos cenários de segundo turno, Lula aparece à frente em todos os testes: 47,8% contra 41,3% de Flávio; 46,3% ante 42,5% de Romeu Zema (Novo); e 46,5% contra 44,9% de Caiado. Apesar das lideranças em todos os confrontos, as margens menores do que no primeiro turno e a presença relevante de brancos, nulos e indecisos indicam que decisões estratégicas e alianças seguirão determinantes para um desfecho no segundo turno.

Outro dado relevante é a quase empate na avaliação do governo: 49,1% aprovam e 49,3% desaprovam a gestão. A combinação de vantagem nas intenções de voto com aprovação dividida sugere um eleitorado ainda móvel e crítico, que pode premiar a imagem pessoal do presidente sem necessariamente validar todas as medidas do Executivo. A pesquisa também mediu a opinião sobre a escala de trabalho 6x1, com 21,5% totalmente favoráveis e 18,5% totalmente contrários — indicativo de baixa consolidação de consenso em temas específicos.

Do ponto de vista político, os números vêm como sinal de alerta para a oposição: a vantagem atual reduz a margem de manobra e força uma recalibração estratégica, seja em busca de unidade, seja na construção de palanques regionais mais competitivos. Para o governo, o retrato é duplo: a liderança nas intenções de voto abre espaço político, mas a aprovação fracionada aponta vulnerabilidades que podem cobrar preço eleitoral caso o Executivo não converta capital político em resultados concretos. Cabe lembrar que pesquisas são fotografias do momento — úteis para traçar estratégias, não previsões definitivas.