A coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva informou que o presidente aceitou as condições propostas por Flávio Bolsonaro para a quebra dos sigilos bancário e telefônico dele e de familiares. O anúncio foi feito pelo coordenador da campanha, Camilo Santana, que disse que levará ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira, às 11h, a resposta formal e estabeleceu o mesmo prazo para o cumprimento por parte de Flávio.

O embate começou após o debate entre os dois no domingo passado, quando Lula lançou o desafio. O petista já havia protocolado no TSE autorização para a divulgação de seus dados. Flávio, por sua vez, condicionou a aceitação à ampliação do alcance do levantamento, incluindo nomes e registros específicos mencionados por sua equipe. Segundo a coordenação de Lula, essas exigências foram aceitas na resposta que será apresentada ao tribunal.

A definição de um prazo tão curto, a poucos dias do segundo turno marcado para domingo, transforma a medida em instrumento de pressão política. Forçar uma decisão pública antes da votação obriga o candidato do PL a optar entre cumprir imediatamente e se expor ou protelar a resposta e correr o risco de narrativas adversas sobre transparência. Levar a disputa ao TSE também desloca a discussão para uma arena institucional, com potencial de judicialização e repercussão na reta final da campanha.

A estratégia da campanha de Lula tenta cristalizar um contraste entre honestidade e suspeita, usando o prazo como alavanca política. Camilo afirma que a resposta será protocolada nesta quinta; resta saber se Flávio comparecerá ao TSE e atenderá ao pedido — ou se a própria recusa dará novo material de ataque à sua campanha nas horas que antecedem a votação.