Em uma articulação de alto valor político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu aos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, compromisso para acelerar a tramitação de propostas com apelo popular. No centro do acordo está a medida provisória que extingue a cobrança incidente sobre compras de até US$ 50 em plataformas internacionais — a chamada “taxa das blusinhas” — cuja validade expira em 8 de setembro se não for votada.
Alcolumbre informou que a comissão mista responsável pela MP deve ser instalada já na próxima semana, durante o esforço concentrado do Congresso, com votação em tempo hábil para evitar que a medida caduque. A Câmara e o Senado combinaram atuação conjunta; Motta indicou o deputado Reginaldo Lopes para presidir a comissão, sinalizando alinhamento entre os líderes para dar prioridade à pauta governista.
Além da MP, o acordo prevê acelerar a PEC que acaba com a jornada 6 x 1 — aprovada na Câmara e agora em análise no Senado — e outras matérias de interesse do Planalto, como a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos e o regime tributário para datacenters (Redata). No Senado, o relator da PEC do 6 x 1 já marcou apresentação de parecer na CCJ para a próxima semana, mas a medida enfrenta resistência da oposição.
A operação tem efeito prático e político: entrega medidas populares em prazo curto e cria narrativa de capacidade de articulação do Executivo, sobretudo em ano pré-eleitoral. Por outro lado, o uso do esforço concentrado em meio ao processo eleitoral e a tentativa de atropelar prazos podem acender alertas na oposição e expor o governo a críticas sobre priorização de agenda às vésperas da corrida por 2026.