A coordenação da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quarta-feira (14/10) que acionou a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta. Segundo o coordenador Camilo Santana, o dossiê complementa a representação já apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reúne mais de duas mil denúncias de suposta interferência na página oficial da campanha em um intervalo de três dias.

A estratégia de levar a questão para instâncias internacionais e de proteção de dados eleva o conflito para além do debate jurídico doméstico. A campanha afirma que as restrições e o tratamento desigual na distribuição de conteúdos têm ocorrido em meio a grande mobilização popular nas ruas, e convocou observadores internacionais, credenciados pelo TSE, para uma reunião marcada para 15/10. A presença da OEA e da ANPD na cena transforma uma disputa de alcance nas redes em um tema de soberania digital e regulação de plataformas.

Politicamente, a iniciativa cumpre ao menos duas funções: pressionar a Meta e expandir o escrutínio público sobre o papel das empresas de tecnologia; e construir narrativa de vulnerabilidade do processo eleitoral diante de atores privados e estrangeiros. A campanha diz ter levado as alegações a parlamentares e meios de 12 países — entre eles Colômbia, Chile, Argentina, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha — buscando repercussão internacional. Internamente, o episódio também complica o roteiro do TSE, que passa a ser coprotagonista de uma disputa com dimensão diplomática.

A intervenção pública do governo, com o ministro da Secom qualificando a suposta ação externa por meio da Meta como evidente, contribui para radicalizar o enquadramento: não se trata apenas de alcance orgânico ou algoritmo, mas de uma narrativa de interferência estrangeira. Resta acompanhar se a ANPD abre procedimento, se a OEA dará seguimento às queixas e como o TSE responderá. Em curto prazo, a internacionalização do caso acende alerta sobre regulação de plataformas, risco de politização das investigações e pressão adicional sobre empresas de tecnologia que operam no país.