A campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou representação oficial à Organização dos Estados Americanos (OEA) acusando a Meta — dona de Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp — de interferência nas eleições. Segundo o coordenador Camilo Santana, o pedido à entidade internacional foi formulado a pedido do próprio candidato e soma-se a ações já protocoladas perante a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A mobilização inclui partidos e entidades de defesa da democracia em 12 países, numa tentativa de internacionalizar a denúncia e ampliar a pressão sobre a plataforma.

O foco das reclamações são relatos de restrições na entrega de postagens e respostas divergentes de ferramentas de inteligência artificial. Testes feitos pela campanha e por usuários teriam levado a IA da Meta a recusar a geração de imagem com a palavra “Lula” e o número 13, enquanto produziu um cartaz para o candidato Flávio com frases de campanha. A equipe também afirma que recursos de repost e story do perfil de Lula no Instagram ficaram indisponíveis por horas. Em nota, a Meta informou que proibiu a recomendação ou geração de imagens de candidatos e que tomou medidas para evitar comandos que usem apenas primeiro nome e número.

A questão tem contorno regulatório: a Resolução 23.755 de 2026 do TSE proíbe provedores que ofereçam IA de ranquear, recomendar ou priorizar campanhas e de emitir respostas que indiquem preferência eleitoral. Para especialistas ouvidos pela campanha, como Ettore Arpini, não dá para afirmar, com base nos fatos públicos até aqui, que houve intenção deliberada da empresa; ainda assim, falhas técnicas nesse contexto podem produzir efeitos políticos reais. Arpini e outros convidados destacam a necessidade de capacidade técnica nacional para testar sistemas e fiscalizar big techs, uma reivindicação que ressoa como pedido de soberania digital.

A representação à OEA e as queixas ao TSE e à ANPD transformam um incidente de plataforma em problema diplomático e institucional. Do ponto de vista político, a ação internacional funciona como estratégia para elevar o custo reputacional da Meta e forçar uma explicação formal — sem, contudo, eliminar a necessidade de provas técnicas sobre o que ocorreu. Para as instituições brasileiras, o caso reforça a urgência de regras claras e de mecanismos de fiscalização independentes que garantam transparência em eleições que dependem cada vez mais de algoritmos e IA.