A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral ação para suspender o canal 'TV Celular Flávio Bolsonaro', no YouTube, ligado à equipe do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a petição, o formato do canal, que lembra um telejornal, publica peças favoráveis ao presidenciável do PL sem a identificação adequada de que se trata de material de campanha, o que — na avaliação da chapa Lula/Alckmin — aumenta o risco de confusão com conteúdo editorial.

No pedido encaminhado ao TSE, a campanha afirma que apenas 15 dos 883 vídeos disponíveis no canal identificam explicitamente o candidato, o vice Alfredo Gaspar e o partido. Como alternativa à remoção, os advogados de Lula sugerem medidas intermediárias: bloqueio da função de download dos vídeos, aplicação de multas e a exigência de que o serviço de hospedagem do canal no YouTube seja corretamente identificado. A chapa também acionou a corte para checar postagens no Instagram do candidato bolsonarista por possíveis ações artificiais de amplificação.

Além dessas petições, a campanha de Lula e Alckmin juntou ao TSE uma ação que reúne 20 pedidos de direito de resposta relacionados a publicações atribuídas ao PL ou a Flávio Bolsonaro. A solicitação busca, segundo o documento, identificar operadores e financiadores de uma estrutura que, conforme a coligação, teria ampliado artificialmente a distribuição de conteúdos favoráveis ao candidato do PL.

O caso coloca o TSE no centro de uma disputa sobre os limites entre promoção eleitoral e conteúdo com aparência editorial, tema sensível em ano de campanha. Para a oposição, as medidas solicitadas visam reduzir o alcance de material que pode circular sem rotulação clara; para o candidato e seu time, caberá à corte avaliar se há, de fato, elementos que configurem irregularidade e quais sanções aplicar. O episódio acende alerta sobre a fiscalização de formatos digitais e pode ter impacto prático em estratégias de comunicação nas redes.