O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (20/10), um pedido para a abertura dos seus sigilos bancário, fiscal e telefônico relativos aos últimos oito anos, estendendo a solicitação aos seus familiares. A iniciativa foi apresentada logo após o confronto verbal no debate da Band e distribuída inicialmente ao ministro André Mendonça. O documento condiciona a divulgação das informações à adoção da mesma medida pelo adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A petição, assinada pela defesa do petista, prevê que os dados sejam disponibilizados em plataforma pública — como o sistema DivulgaCandContas — antes da votação, com o objetivo declarado de permitir que eleitores tenham acesso às informações. O texto inclui autorização para tornar públicos registros da primeira-dama, Janja, e de filhos do presidente, e amplia o alcance para pessoas jurídicas nas quais os candidatos sejam sócios, administradores ou tenham participação relevante como responsáveis financeiros ou “usuário master”.
No caso de Lula, a peça cita a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda.; sobre o senador Flávio, a petição menciona quatro empresas brasileiras e uma offshore identificada como Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira. A defesa do presidente relaciona reportagens e apurações que atribuem ao senador atuação vinculada a contas dessa estrutura no exterior, argumento usado para justificar o pedido recíproco. A ação, portanto, traduz uma estratégia jurídica que amplia o foco para redes de pessoas e empresas conectadas aos candidatos.
Politicamente, o movimento acende alerta para a campanha: força Flávio Bolsonaro a optar entre aceitar o confronto público sobre as contas ou recusar e sofrer desgaste por omissão. Para o TSE, a decisão tem efeito prático e simbólico na reta final — acolher a medida altera o cenário de transparência eleitoral; negar preserva o escopo atual das regras de sigilo. A petição invoca ainda o princípio constitucional da probidade e da moralidade, transformando o pedido em instrumento de pressão jurídica e narrativa eleitoral a poucos dias da votação.