A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral um pedido para que a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil seja investigada. O requerimento foi anexado à Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) que apura suposta intervenção externa no pleito brasileiro.
A medida americana, em vigor desde sexta-feira, foi justificada pelo Departamento de Estado por 'preocupações com a segurança', sem detalhar a natureza das ameaças. As orientações incluíram evitar as repartições e manter funcionários em trabalho remoto, oficialmente para preservar a segurança do pessoal e do público.
Na peça jurídica, a coligação de Lula descreve a suspensão como um 'gesto diplomático anômalo' que projeta instabilidade sobre o ambiente eleitoral. O documento afirma que a estrutura de intervenção externa atuaria em três frentes — comunicacional, institucional e diplomática — e pede a investigação de Flávio Bolsonaro, do vice Alfredo Gaspar e de Eduardo Bolsonaro.
A ação cita reportagens que teriam atribuído a determinação a Marco Rubio e ressalta a proximidade do senador americano com membros da família Bolsonaro. O texto da campanha também registra declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, em 1º de outubro, quando chamou a eleição brasileira de 'muito importante'.
Politicamente, o episódio acende alerta: leva o TSE a coordenar apuração que pode complicar a narrativa da oposição e transformar um ato diplomático em elemento de litígio eleitoral. Resta agora ao tribunal verificar vínculos, responsabilidades e o impacto institucional dessa suspensão sobre a normalidade do processo eleitoral.