O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira a decisão dos Estados Unidos de cobrar uma taxa sobre embarcações que transitam sob proteção norte-americana no Estreito de Ormuz. Em discurso à imprensa em São Caetano do Sul, Lula qualificou a situação como “muito delicada” e afirmou que o governo de Donald Trump teria provocado o conflito na região, agora buscando ganhos financeiros com a instabilidade.

Ao qualificar a medida como “não comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório”, o presidente colocou em xeque a narrativa de segurança apresentada por Washington. A fala expõe um risco diplomático: além de tensionar relações bilaterais, a acusação de aproveitamento econômico pode alimentar críticas internas e internacionais sobre o papel dos EUA no Oriente Médio e sobre o custo do comércio marítimo para países importadores.

Não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório

Lula aproveitou a oportunidade para promover a produção brasileira de biocombustíveis, oferecendo o país como fornecedor energético alternativo. “Quem quiser comprar biodiesel pode vir aqui que a gente não vai cobrar nada, vai cobrar só o preço justo”, afirmou, numa tentativa de transformar crítica em agenda econômica e abrir espaço para agronegócio e indústria energética brasileiros nos mercados afetados pela crise.

Politicamente, a declaração tende a reforçar a postura do governo de independência em relação a decisões norte-americanas, ao mesmo tempo em que acende um debate sobre a estratégia externa e os custos econômicos do conflito para o comércio global. Se haverá desdobramentos práticos — como oferta concreta de fornecimento de biodiesel ou iniciativas diplomáticas coordenadas com parceiros — dependerá das próximas ações do Executivo e da reação dos mercados diante da escalada na região.