Em visita ao Hospital Universitário de Rio Verde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido ao governo dos Estados Unidos uma intervenção contra o Pix brasileiro. A acusação, feita em tom firme, foi seguida de críticas à tentativa — segundo Lula — de interferência externa em infraestrutura nacional de pagamentos.
O episódio ganha dimensão econômica: nas últimas semanas os EUA anunciaram que passarão a tratar facções como o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas e divulgaram relatório afirmando que o Pix prejudica empresas de pagamentos. O Ministério do Desenvolvimento (MDIC) alertou que a proposta americana de taxar produtos brasileiros em até 25% poderia afetar 21% das exportações para aquele mercado, indicando risco concreto a setores produtivos.
Flávio Bolsonaro nega ter pedido qualquer tipo de taxação e diz ter solicitado a isenção de tarifas em encontro com Trump na Casa Branca. A Febraban saiu em defesa do Pix, classificando-o como infraestrutura que favorece concorrência e o funcionamento do sistema de pagamentos — argumento técnico que o governo usa para reforçar sua resistência a medidas externas que tratem o Pix como produto comercial.
Politicamente, a troca de acusações expõe vulnerabilidade do clã Bolsonaro na interlocução com Washington e amplia o desgaste do pré-candidato Flávio numa disputa já sensível para 2026. Para o governo, o confronto oferece munição doméstica sobre soberania tecnológica e proteção do mercado interno, mas também traz a necessidade de traduzir o embate em medidas concretas para mitigar impactos nas exportações e evitar escalada diplomática.