O confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro escalou no debate da Band, quando o presidente acusou o senador de ter proferido 43 declarações falsas ao longo da noite. Lula reapareceu com a narrativa já usada contra a família Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente mentia rotineiramente e apontando contradições do adversário.
Flávio respondeu com ataques ao governo e uma mensagem à plateia: disse que o Congresso está mais à direita e prometeu que não haveria “roubalheira de velhinho” se chegasse ao Planalto. A troca, porém, não ficou só no palco: a procuradoria e a polícia aparecem no entorno do episódio — a PF deve ouvi‑lo em apuração sobre suposta calúnia e o ministro Alexandre de Moraes encaminhou inquérito à PGR.
No momento mais concreto da disputa, Lula cobrou explicações sobre R$ 134 milhões vinculados a Daniel Vorcaro, questionando destino e versões apresentadas por Flávio. A cobrança pública expõe um ponto sensível do discurso do senador e transforma suspeitas financeiras em arma retórica do adversário.
Do ponto de vista político, a contundência das acusações e a menção a procedimentos policiais tornam o episódio relevante para a campanha: além de desgastar a imagem de incorruptibilidade que Flávio tenta projetar, aumenta a pressão sobre sua base e sobre eventuais aliados. A referência à perda de imunidade e às investigações aponta para custos concretos que podem vir a afetar a viabilidade eleitoral do clã Bolsonaro.
Ao encerrar a resposta, Lula lançou a provocação final: “Não vai ter porque você vai perder as eleições”. A frase resume a tentativa do governo de transformar questões judiciais e narrativas de credibilidade em vantagem eleitoral, enquanto Flávio encara simultaneamente risco jurídico e desafio de recompor sua reputação.