Durante comício na Boca Maldita, em Curitiba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que é preciso expor os responsáveis pelo caso envolvendo o Banco Master e desmascarar quem praticou irregularidades. Sem reproduzir termos literais, o chefe do Executivo afirmou que um agiota acabou sendo elevado à condição de banqueiro e que as ligações financeiras questionáveis precisam ser esclarecidas por investigação rigorosa e transparente.

Lula também criticou a divulgação seletiva de informações por parte da relatoria no Supremo Tribunal Federal, sem citar nominalmente o ministro responsável. O presidente afirmou que não cabe a um juiz transformar a investigação em vazamento parcial de matéria, numa referência clara ao desgaste que o episódio provocou na Corte e à percepção pública de tratamento desigual de informações sensíveis.

As declarações ocorrem no contexto da repercussão sobre a relação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A ofensiva verbal do presidente reflete a estratégia da campanha petista de ligar a trajetória do banco à gestão anterior: segundo Lula, a instituição foi criada e ganhou força durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto seu governo teria atuado para apurar e, quando necessário, encerrar as irregularidades detectadas.

Além de defender a apuração, o presidente pediu um padrão de conduta mais elevado para magistrados, dizendo que o cargo exige dedicação e comportamento acima da média da sociedade. Politicamente, o episódio amplia a pressão sobre o STF e alimenta o debate público sobre transparência judicial, com potencial de reverberar na agenda de reformas do Judiciário e na narrativa de 2026. O caso seguirá sendo um termômetro da relação entre Poder Executivo, Corte e opinião pública.