O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na manhã desta terça-feira (28/4) no Palácio do Planalto com a equipe econômica para os ajustes finais do Desenrola 2. Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Casa Civil Miriam Belchior e o ministro da Fazenda Dario Durigan. A reunião sucede rodada de negociações com os maiores bancos, realizada na véspera, e o governo sinaliza anúncio nos próximos dias.

A proposta em discussão prevê renegociação de dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor (CDC) e cheque especial, inclusão de medidas de educação financeira e restrições a apostas online. O texto admite a possibilidade de uso do FGTS para quitação, com limites ainda por definir, e descontos que podem alcançar até 90% do valor devido. O governo também pensa em garantia por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO), cujo alcance e custo não foram detalhados.

Politicamente, o Desenrola 2 tenta responder ao aumento do endividamento das famílias — que alcançou 49,9% em fevereiro, segundo o Banco Central — oferecendo alívio concreto para a base de baixa renda. Ao mesmo tempo, o programa acende alerta sobre custo fiscal e risco moral: garantias públicas e permissões de saque do FGTS podem transferir risco ao setor público e criar incentivos que alterem comportamento de crédito se não houver critérios rígidos.

Na prática, a eficácia do pacote dependerá de parâmetros operacionais: quem terá direito (o governo cita renda de até cinco salários mínimos), limites de saque do FGTS, critérios para descontos e mecanismos para cobrança em caso de descumprimento. Se efetivado em maio, o Desenrola 2 será teste para Durigan e para a capacidade do Planalto de entregar alívio sem comprometer as contas públicas — e será observado com atenção por mercado, bancos e oposição.