Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o encontro do chefe do Executivo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode destravar, nesta semana, as discussões no Congresso sobre o fim da escala de trabalho 6x1. A expectativa se apoia na sinalização favorável de Alcolumbre, segundo interlocutores, mas não há garantia de votação imediata nem acordo fechado sobre o texto final.

No Senado, a disposição do presidente da Casa é vista como elemento capaz de articular quórum e acelerar tramitação, sobretudo se houver compromisso para levar a proposta a comissões e ao plenário. Ainda assim, o calendário legislativo permanece apertado e a matéria enfrenta resistências internas, exigindo costura política com líderes do Centrão e articulação com a base aliada.

O governo terá de administrar divergências entre parlamentares motivadas pelo impacto econômico da mudança: setores produtivos têm expressado preocupação com aumento de custos com horas extras e alterações na logística de trabalho. Sindicatos e categorias afetadas também observam a movimentação, o que amplia a pressão social e política sobre deputados e senadores responsáveis pela votação.

Se avançar, a PEC 6x1 pode vir com emendas que reduzam seu alcance, obrigando o Executivo a fazer concessões para garantir aprovação. Caso as negociações emperrem, o desgaste político recairá sobre o Planalto, que precisará demonstrar habilidade negociadora e propostas de compensação plausíveis. O episódio acende um alerta político: há abertura para avanço, mas também risco de frustração e custo político caso a solução não equilibre interesses e impacto econômico.