O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio da Alvorada, na segunda-feira (26), Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e Hugo Motta (presidente da Câmara). Foi o primeiro encontro formal entre eles após a vitória de Lula no domingo, que teve 64,2 milhões de votos. Motta resumiu a visita como um gesto de cumprimento e reafirmação de compromisso com o diálogo e a harmonia institucional, sinalizando que o governo busca um canal de entendimento com as lideranças do Legislativo.

A reunião ocorre em um cenário de recomposição de forças no Congresso: o PL saiu fortalecido, com 121 deputados e 29 senadores, e a Câmara e o Senado terão mesas renovadas em fevereiro de 2027. Motta e Alcolumbre trabalham abertamente pela manutenção de seus mandatos nas presidências das Casas e já avançaram articulações antecipadas — Motta com o suporte de 12 partidos, e Alcolumbre negociando para conter a tentativa do PL de emplacar candidatos próprios. A antecipação das costuras mostra que a vitória eleitoral não elimina a necessidade de barganha parlamentar.

No plano legislativo, a interlocução é estratégica. A PEC da Segurança Pública, prioridade do Planalto, já teve votação adiada no Senado por impasses, sobretudo sobre redução da maioridade penal. Outras propostas do governo, como a PEC que zera tarifas do transporte público em fins de semana e feriados e a regulamentação do fim da escala 6x1, também dependem de acordo fino com as lideranças das Casas. Com nomes do PL ventilados para disputar as mesas — na Câmara, Sóstenes Cavalcante e Altineu Cortês; no Senado, Rogério Marinho ou Tereza Cristina —, a margem de negociação do governo pode ficar condicionada a concessões políticas.

O encontro no Alvorada, portanto, sinaliza duas realidades: a vitória consolida o mandato de Lula nas urnas, mas não garante governabilidade automática em um Congresso com bancada de direita robusta. Para aprovar sua agenda será necessário trocar apoio por garantias e articulações, o que pode elevar o custo político de projetos sensíveis. Em curto prazo, a prioridade para o Planalto é transformar essa conversa inicial em votos efetivos sem abrir mão de pontos centrais da sua agenda — um desafio que complica a narrativa oficial de estabilidade pós-eleição.