Na 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDESS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento curto, mas marcado por um alerta: movimentos de extrema-direita estariam se fortalecendo em diversos países, alimentados pela insatisfação social e pela circulação de conteúdos falsos nas redes digitais. Lula citou que acompanhava com atenção episódios recentes no México e relacionou o fenômeno a dinâmicas já vistas no Brasil.

Ao evocar as manifestações de 2013, o presidente defendeu que causas pontuais podem ser apropriadas politicamente por grupos organizados. Segundo Lula, manifestações inicialmente motivadas por reivindicações específicas acabaram sendo usadas como pretexto para depredações e para ganhos políticos que culminaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e, depois, na eleição de Jair Bolsonaro. O presidente afirmou suspeitar também de interferências externas em episódios recentes fora do país.

A fala tem dupla implicação: além de apontar para um risco de contágio regional, coloca a desinformação no centro do debate sobre estabilidade democrática. Politicamente, o pronunciamento cumpre função preventiva — reforçar a necessidade de defesa das instituições — e pode servir para pressionar por medidas contra a circulação de fake news. Diplomática e eleitoralmente, a menção ao México exige cautela, porque insinua preocupação com interferências sem, contudo, apresentar provas públicas.

Do ponto de vista de política interna, o alerta reforça a narrativa do governo sobre a importância de fortalecer a democracia por meio de propostas e instituições, e acende sinal para opositores e aliados sobre os custos potenciais da radicalização. No CDESS, cuja pauta foi 'Da soberania nacional ao protagonismo global', a mensagem combinou diagnóstico e pedido de vigilância: enfrentar desinformação e reduzir a insatisfação social aparecem como prioridades para evitar novos episódios de escalada política.