O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, durante a 42ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que a cooperação entre os dois países tornou-se mais relevante diante da atual instabilidade internacional. Em tom descontraído, fez menção ao jogo de 2014 e buscou quebrar o gelo com o público de autoridades e representantes do setor privado antes de centrar a atenção nas oportunidades econômicas e nos riscos globais.

Lula ressaltou a longevidade das relações econômicas e lembrou que o encontro reúne líderes e empresas desde 1974. Segundo o presidente, mais de 1.200 companhias alemãs já atuam no Brasil e há expansão de empresas brasileiras no mercado alemão. Ele ainda valorizou o papel histórico da Alemanha no desenvolvimento industrial brasileiro, na formação de técnicos e na difusão de uma cultura de qualidade, mas advertiu que a parceria precisa se ajustar às novas demandas tecnológicas e ambientais.

No diagnóstico sobre o ambiente externo, o presidente apontou mudanças climáticas, fragmentação da economia global, transformações tecnológicas e energéticas e conflitos armados como elementos que alteram preços, rotas comerciais e decisões de investimento, além de enfraquecerem fóruns multilaterais. Nesse quadro, defendeu o reforço de alianças estratégicas e citou a participação do Brasil como país parceiro da Feira de Hanôver, com 440 empresas e startups, como sinal de reaproximação e confiança internacional.

No plano interno, Lula vinculou os resultados econômicos recentes — crescimento médio superior a 3% nos últimos três anos, o maior patamar histórico da Bolsa em abril, melhora do mercado de trabalho e inflação controlada — à retomada da capacidade estatal de formular políticas públicas. O pronunciamento busca traduzir fortalecimento externo em ganho político, mas deixa em aberto a discussão sobre medidas concretas para transformar essa aproximação em investimento sustentável: o discurso enfatiza confiança e oportunidade, mas evita detalhar como serão enfrentados desafios estruturais que condicionam competitividade e segurança jurídica.