O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta (11/6) novas entregas do programa Imóvel da Gente, que já destinou cerca de 1,9 mil imóveis federais a ações sociais em 638 municípios. O número supera em quase 20% a meta inicial de 1,6 mil previstas até o fim de 2026, e o governo avalia que as destinações podem beneficiar cerca de 400 mil famílias.
A iniciativa busca reaproveitar prédios e áreas da União antes sem uso ou subutilizados para projetos de moradia, regularização fundiária e implantação de equipamentos públicos. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, as áreas incorporadas ao programa somam mais de 18,5 mil km² — equivalente a aproximadamente três vezes o Distrito Federal — e a ministra Esther Dweck projeta ultrapassar 2 mil imóveis ainda este ano.
No discurso, Lula voltou a criticar entraves burocráticos e a inércia administrativa, citando casos de prédios e casas abandonadas em capitais como Recife, Porto Alegre e São Paulo. O presidente também cobrou da presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, a promessa de zerar a fila de atendimento até setembro, e pediu que a sociedade mantenha pressão sobre o governo para garantir execução.
Politicamente, antecipar a meta coloca o programa como trunfo na agenda social do Planalto: é um indicador de atividade concreta sobre patrimônios federais. O efeito, porém, depende da velocidade com que as destinações se transformarem em moradia e serviços públicos. Se a implementação travar por questões administrativas ou municipais, a execução antecipada pode virar fonte de desgaste em vez de ganho político, sobretudo em ano pré-eleitoral.