O governo federal anunciou nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, um reforço de R$ 140 bilhões à Nova Indústria Brasil (NIB), política que concentra ações de fomento a setores considerados estratégicos. Do total, R$ 102,5 bilhões virão do BNDES e R$ 37,5 bilhões da Finep. Com o novo aporte, a iniciativa supera a marca de R$ 750 bilhões em recursos anunciados para o período de 2023 a 2026, segundo o próprio governo.

O pacote mira áreas como fertilizantes, máquinas agrícolas, insumos farmacêuticos ativos, biofármacos, terapias avançadas, mobilidade sustentável, inteligência artificial, audiovisual, minerais críticos e tecnologias com dupla aplicação. Além do volume financeiro, foi lançado o portal Investe Indústria Brasil, da ABDI, para mapear investimentos, demandas empresariais e gargalos — uma ferramenta que promete maior acompanhamento, mas cuja eficácia dependerá de dados acessíveis e de padrões claros de avaliação.

Na mesma cerimônia, o governo divulgou os resultados do primeiro leilão do ProFloresta+, parceria do BNDES com a Petrobras para compra de créditos de carbono gerados por restauração na Amazônia. Foram selecionadas três empresas para fornecer cinco milhões de créditos, com previsão de mobilizar cerca de R$ 450 milhões apenas na etapa de plantio, gerar 6,3 mil empregos verdes, plantar mais de 25 milhões de árvores nativas e capturar cinco milhões de toneladas de carbono.

O anúncio reforça uma estratégia ativa de política industrial com foco em inovação e transição ecológica, mas também amplia o compromisso fiscal até o fim do período citado. A efetividade do programa dependerá da capacidade de converter recursos em ganhos produtivos e de competitividade, da coordenação entre agências e da transparência na seleção de projetos. Sem critérios rígidos de governança e métricas de resultado, o montante anunciado pode enfrentar críticas por custo político e questionamentos sobre prioridade e retorno econômico.