O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira, na 68ª Cúpula do Mercosul em Assunção, a proposta de ampliação da participação financeira do Brasil no Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). A proposta prevê aporte de US$ 100 milhões anuais — cerca de R$ 518 milhões por ano — a ser mantido por um período de 10 anos, caso o novo ciclo do fundo seja aprovado pelos Estados-partes.
O Focem é o principal instrumento de financiamento de projetos voltados à redução das desigualdades entre os membros do bloco, com investimentos em infraestrutura, energia, saneamento, habitação e desenvolvimento regional. Pela fórmula vigente, o Brasil contribui com a maior parcela do fundo, enquanto Paraguai e Uruguai costumam concentrar a maior parte dos projetos financiados, em razão de seu menor desenvolvimento relativo.
O anúncio, antecipado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tem objetivo claro de dar impulso às negociações e sinalizar compromisso brasileiro com a continuidade do mecanismo. O Itamaraty espera que Argentina e demais Estados acompanhem o movimento, mas a renovação depende de consenso entre os países e de aprovação pelos Legislativos nacionais — etapa que pode alongar ou condicionar o novo ciclo.
Politicamente, a iniciativa reforça a imagem do Brasil como financiador da integração, mas também acende alerta para a equipe econômica e para aliados, diante do custo adicional estimado em cerca de US$ 1 bilhão ao longo de uma década (aproximadamente R$ 5,18 bilhões). Além dos benefícios concretos para regiões de fronteira, a medida pode virar alvo de críticas por ampliar o peso brasileiro no fundo caso os parceiros não aumentem proporcionalmente suas contribuições.