O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, o crescimento da violência contra as mulheres e apelou para que relacionamentos sejam pautados pelo respeito e não pela posse. Em discurso durante o lançamento do programa Move Brasil — Entregadores e Motoapp, ele associou ciúme excessivo a um problema de caráter e afirmou que ninguém deve tratar uma parceira como propriedade.
A fala, proferida no Dia dos Namorados, também destacou o impacto do feminicídio: além de destruir a vida da vítima e de sua família, segundo o presidente, o crime compromete o futuro do agressor. Lula ressaltou ainda o papel da família na formação de valores, defendendo que pais e mães demonstrem respeito mútuo como exemplo para os filhos.
Do ponto de vista político, o pronunciamento reforça a posição pública do Executivo contra a violência de gênero e coloca no centro do debate a necessidade de prevenção, proteção e educação. Porém, discursos de condenação, por relevantes que sejam, exigem desdobramentos práticos — políticas públicas consistentes, financiamento e programas de prevenção e acolhimento — para evitar que a mensagem fique no campo simbólico.
A chamada à mudança cultural feita pelo presidente dialoga com um problema estrutural que envolve educação, segurança pública e assistência social. Para que o apelo tenha efeito duradouro, será preciso que o governo traduza palavras em medidas concretas e mensuráveis, sob risco de a iniciativa se restringir a um posicionamento moral sem impacto cotidiano para as mulheres vítimas de violência.