O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a Polícia Federal pela decisão de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos em Brasília, explicando que a ação segue o princípio da reciprocidade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o chefe do Executivo apresentou a medida como resposta direta à determinação americana de expulsar um delegado brasileiro.

O Ministério das Relações Exteriores comunicou formalmente a embaixada dos EUA e criticou a falta de diálogo prévio antes da medida norte-americana contra o delegado Marcelo Ivo de Carvalho. A pasta ressaltou que o agente americano atuava na sede da PF amparado por um memorando bilateral sobre intercâmbio de oficiais de ligação.

O episódio está ligado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos — detido pelos serviços de imigração em Orlando e alvo de pedido de extradição solicitado pelo Brasil em dezembro de 2025. A Polícia Federal afirma que a detenção decorreu de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos.

A retaliação brasileira procura proteger seus agentes e enviar sinal de firmeza, mas tem custo prático: pode complicar canais de cooperação em investigações e em processos de extradição que dependem de interlocução com Washington. O anúncio simultâneo da contratação de 1.000 novos agentes para portos, aeroportos e fronteiras reforça a ênfase em segurança e soberania, ao mesmo tempo em que impõe desafio diplomático para normalizar relações bilaterais.