O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (19/5), apoio à proposta que propõe o fim da escala de trabalho 6x1, mas frisou que qualquer mudança dependerá de aprovação pelo Congresso e deverá respeitar as especificidades de cada categoria. Em discurso na abertura do Encontro Internacional da Indústria de Construção (Enic), em São Paulo, ele garantiu que “ninguém vai impor na marra”.

A declaração dá impulso político à agenda que revisa a jornada, mas coloca o governo diante do desafio de costurar acordos. A proposta segue para uma comissão especial no Congresso que, segundo o presidente, contará com representantes dos trabalhadores — o que sinaliza negociação, mas não elimina o risco de resistência de categorias que adotam a escala ou de setores produtivos que a consideram necessária para sua operação.

No mesmo evento, Lula reforçou a importância da relação com a construção civil para geração de empregos e habitação. Citou dados da Caixa: R$ 976,2 bilhões em crédito imobiliário até o primeiro trimestre, equivalentes a 7,2% do PIB e 68% do mercado, com 2,84 milhões de contratos assinados desde 2023. A referência à habitação mostra que o governo busca conciliar mudanças trabalhistas com medidas para manter a atividade econômica.

Do ponto de vista político, a fala tenta equilibrar avanço legislativo e prudência no trato com aliados e setores econômicos. A proposta de extinguir a escala 6x1, apresentada como resposta a mudanças sociais e tecnológicas, tende a acender disputa no Congresso e exigirá articulação para evitar desgaste institucional e custos políticos para o governo.