Em sabatina no SBT na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar convencido de que será vitorioso no segundo turno marcado para 25 de outubro. Sem esconder frustração pela não vitória no primeiro turno, ele creditou a confiança à intensa mobilização popular em defesa da democracia — entre mil e 1,7 mil atos no último fim de semana, segundo sua conta — e à estratégia de recuperar votos em estados onde teve desempenho inferior ao esperado.
A fala veio no mesmo dia em que pesquisas registraram redução da vantagem do petista sobre o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), e especialistas avaliam que Lula pode ter atingido um teto eleitoral. O próprio presidente reconheceu perda de eleitores em unidades da federação e disse contar com o apoio de governadores do Nordeste para recuperar eleitorado. O recado político é claro: a campanha passa a depender tanto de mobilização de rua quanto de correção de rota em áreas críticas.
Politicamente, os números recentes acendem alerta para a campanha governista. A perda de mais de 3 milhões de votos entre 2022 e 2026, mencionada no material-base, e a compressão da vantagem em pesquisas aumentam a pressão por ações rápidas: intensificar presença no Sul, reduzir distância em São Paulo e tentar conquistar Minas Gerais. Se essas frentes não avançarem, a narrativa oficial de estabilidade e continuidade do governo fica mais difícil de sustentar diante do eleitorado indeciso.
A aposta de Lula na mobilização tem efeito duplo: reforça a capacidade de ativação da base, mas também expõe vulnerabilidades eleitorais que a oposição pode explorar até a votação. Resta à campanha transformar a mobilização em votos efetivos nas urnas e demonstrar, nos próximos dias, mais do que empolgação: capacidade de reverter perdas onde elas ocorreram. O resultado desses esforços será decisivo para a consolidação — ou não — da expectativa presidencial de virar o segundo turno.