O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, ontem, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) para costurar uma estratégia conjunta: garantir a reeleição dos dois à frente da Câmara e do Senado na abertura da próxima legislatura, em fevereiro de 2027. A articulação tem objetivo claro de criar uma barreira institucional contra o crescimento do PL, partido que saiu das urnas como a principal bancada na Casa.

O cenário que alarmou o Planalto é objetivo: com 121 deputados, o PL já sinaliza ambição pelo comando da Câmara e pelo controle de comissões-chaves, como a de Constituição e Justiça. No Senado, o partido projeta lançar o senador Rogério Marinho (RN) para enfrentar Alcolumbre. A meta do PL, segundo interlocutores, incluiria pautas conservadoras e até a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF — citados em razão da decisão que estendeu em duas horas o segundo turno do pleito.

Na pauta de Alcolumbre também está a indicação de Rodrigo Pacheco, hoje ministro do TCU, para a 11ª vaga do Supremo. Fontes ligadas ao governo ouvidas pelo material-base indicam que Lula tende a aceitar a escolha, o que reforça o caráter pragmático da iniciativa presidencial: trocar alternativa na disputa legislativa por maior previsibilidade na composição do STF e na condução de temas sensíveis ao Executivo.

Do lado partidário, o PT e deputados governistas discutem apoio formal à reeleição de Motta como forma de blindagem. Nomes do PL — como Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes — foram apontados como possíveis rivais, mas negociações seguem em curso. Politicamente, a costura mostra que o governo prefere prevenir um vácuo de poder no Legislativo a confrontar diretamente a bancada majoritária, aposta que vem com custo: ampliar concessões ao Centrão e negociar espaços de influência para evitar que a nova configuração parlamentar impeça a tramitação das propostas do Planalto.