O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira no Palácio do Planalto um conjunto de medidas voltadas à conservação da biodiversidade, à recuperação de biomas e ao enfrentamento das mudanças climáticas. A cerimônia, em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, reuniu ministros, governadores, parlamentares e representantes de comunidades tradicionais, entre eles a ex-ministra Marina Silva.

O pacote inclui aportes financeiros e criação ou ampliação de áreas protegidas. Foram anunciados cerca de R$ 2 bilhões direcionados a ações do Ibama e do ICMBio na bacia do Rio Doce, R$ 834 milhões do Fundo Clima para restauração de vegetação nativa e doações internacionais — R$ 270 milhões do Reino Unido ao Fundo Amazônia e R$ 370 milhões para o programa ARPA Comunidades. Medidas também preveem ampliação de parques no Piauí, criação do Parque Nacional do Tanaru (RO) e uma Área de Proteção Ambiental no Pará.

Na fala oficial, o presidente destacou entregas a quilombolas — anunciou que, em três anos e meio, o governo teria registrado 48% das terras quilombolas do país — e defendeu direitos indígenas e políticas públicas em defesa da fauna. Mencionou ainda preparativos para enfrentar impactos associados ao fenômeno El Niño. Marina Silva participou da cerimônia; ela deixou o ministério para concorrer ao Senado por São Paulo.

Do ponto de vista político, o pacote funciona como demonstração de compromisso ambiental e ajuda a reforçar a imagem internacional do Brasil na pauta climática. No entanto, o efeito prático dependerá da capacidade de implementação, da coordenação entre União e estados e da fiscalização contínua. Os recursos anunciados são relevantes, mas a tradução em resultados concretos — redução de desmatamento, restauração efetiva e melhoria da proteção a comunidades — será o teste para sustentar o discurso do governo.