No comício realizado na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras acusações ao clã Bolsonaro e ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Em tom de campanha, Lula afirmou que Eduardo Bolsonaro teria pedido intervenção dos Estados Unidos — uma denúncia dirigida também ao senador Flávio Bolsonaro — e anunciou que o governo federal não dará aval para um empréstimo destinado a cobrir o rombo do Banco de Brasília (BRB). O evento, segundo o Planalto, reuniu cerca de 15 mil pessoas e contou com candidatos locais que receberam o endosso público do presidente.
Sobre o colapso financeiro do BRB, o presidente atribuiu a responsabilidade a relações entre o ex-governador Ibaneis Rocha e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Lula afirmou que o BRB adquiriu títulos que não existiam, em operações da ordem de R$ 12 bilhões, e criticou a tentativa da governadora Celina Leão de responsabilizar o Executivo federal. Celina reagiu nas redes, afirmando que o presidente age como líder de partido e não como chefe de Estado, e que o Distrito Federal também faz parte da República — sinal claro de desgaste entre o Planalto e a gestão local.
No ataque dirigido ao grupo Bolsonaro, o presidente disse que Eduardo estaria "falando mal do Brasil" e buscando apoio externo, e anunciou que irá ao encontro do presidente dos EUA na Assembleia-Geral da ONU para reivindicar que não haja interferência nas eleições brasileiras. A acusação, se confirmada ou não, eleva a temperatura da campanha e tende a reforçar a polarização, obrigando adversários a reagirem e possivelmente recalibrar discursos e estratégias rumo a 2026.
Além das críticas políticas, Lula defendeu apurações sobre as relações do banqueiro Vorcaro com setores do poder e citou o ministro Alexandre de Moraes ao tratar de suspeitas que, segundo ele, devem ser investigadas com direito de defesa. O episódio amplia a disputa para além do DF: traz pressões institucionais sobre o Judiciário e cria um impasse fiscal entre União e governo distrital. No plano local, o presidente já declarou que trabalhará pela eleição de Leandro Grass, convertendo o episódio do BRB em arma política que pode medir força entre esferas de poder e candidatos no Distrito Federal.