Em discurso em Catalão (GO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva associou a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% a produtos brasileiros às atitudes de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que publicaram agradecimentos e pedidos ao governo norte-americano. O presidente citou a repercussão pública de manifestações de Flávio e Eduardo Bolsonaro como elemento de ligação entre o apoio externo e a adoção das medidas.
Lula lembrou que, no ano passado, Flávio Bolsonaro comemorou nas redes sociais a iniciativa de Washington e que Eduardo também manifestou apoio ao endurecimento das ações americanas. Ambos tiveram contatos recentes com lideranças nos EUA — Flávio, inclusive, esteve na Casa Branca na semana passada e disse ter pedido proteção contra tarifas —, mas o desfecho das negociações acabou desfavorável ao Planalto, com decisões que exigem explicações públicas.
O presidente afirmou ainda que, diante da assimetria de poder entre Brasil e EUA, a resposta brasileira passa por diplomacia e argumentos na imprensa e em cartas oficiais, e lembrou números do comércio bilateral: um superávit americano com o Brasil superior a US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos. Para o governo, o episódio expõe a dificuldade de proteger interesses econômicos sem capacidade de retaliação equivalente.
Do ponto de vista político, a ligação feita por Lula tende a produzir desgaste para integrantes do bolsonarismo que buscaram respaldo externo: contrapõe discurso de soberania e defesa dos interesses nacionais com sinais públicos de submissão a parceiros externos. Para o Planalto, resta a necessidade de esclarecer a estratégia diplomática, avaliar impactos econômicos concretos e administrar o custo político que a medida impõe em ano pré-eleitoral.