O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta terça-feira no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento autorizando a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico — e dos seus familiares — desde que o mesmo seja feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário no segundo turno. A iniciativa foi apresentada como cumprimento de promessa feita no debate na Band.

No documento, Lula coloca à disposição da Justiça informações relativas aos últimos oito anos e inclui os sigilos da primeira-dama Janja e dos cinco filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Claudio. A petição também estende a autorização a pessoas jurídicas ligadas aos candidatos, listando uma empresa associada a Lula (L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda.) e cinco vinculadas a Flávio, entre elas uma offshore.

O requerimento foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques. Na campanha, Lula disse que a transparência é condição para que o eleitor decida livremente, repetindo o desafio feito ao rival. A peça pede divulgação pública dos dados antes da próxima quarta-feira, argumento usado para justificar a urgência da medida às vésperas do segundo turno.

Politicamente, o movimento desloca a disputa para o terreno da prestação de contas e pressiona o adversário a responder com igual exposição. A estratégia pode reforçar a narrativa de transparência do governo e ao mesmo tempo testar a capacidade de Flávio Bolsonaro de aceitar a condição — um gesto com potencial de impacto direto na percepção do eleitor sobre integridade e risco político.