A tendência no entorno presidencial é clara: Luiz Inácio Lula da Silva não deve participar do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º/10), o último antes do primeiro turno. A avaliação da campanha é que o formato e o timing trazem mais riscos do que vantagens para o presidente, que chega à reta final à frente nas pesquisas públicas.
A decisão ainda não foi anunciada oficialmente, mas interlocutores apontam pouca probabilidade de reversão. A campanha chegou a reavaliar a postura após o crescimento de Flávio Bolsonaro em levantamentos recentes, mas voltou a se inclinar pela ausência. Dados públicos, como o último Datafolha divulgado na semana passada, mostram Lula com 40% e Flávio com 36% no primeiro turno; os balanços internos citados pela campanha, porém, não foram tornados públicos.
No raciocínio estratégico, a ausência preserva o mandato político do presidente, evita transformá‑lo no alvo central do programa e deixa o confronto direto — com espaço e ritmo diferentes — para um eventual segundo turno. O presidente do PT, Edinho Silva, já sinalizou preferência por formatos que permitam embate mais direto, em vez de um palco em que perguntas e alternância de falas dificultam réplicas rápidas.
O custo político dessa escolha existe: em campanha, a não ida a um debate dá material ao adversário para sustentar uma narrativa de evasão e pode repercutir forte nas redes sociais. Flávio Bolsonaro confirmou que participará e tem buscado transformar a presença de Lula em tema de campanha na reta final. A avaliação do palácio de que o senador tenta forçar um episódio capaz de alterar a dinâmica da disputa é uma leitura da própria campanha e não tem verificação independente.
A decisão traduz, portanto, uma aposta calculada: minimizar exposição e risco eleitoral imediato, com o preço de abrir espaço para críticas e interpretações políticas que podem ganhar tração em dias decisivos. Ainda não há definição pública e a estratégia pode ser ajustada até a véspera do debate.