O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em ato na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, que vai viajar aos Estados Unidos para pedir a Donald Trump que não intervenha nas eleições brasileiras. A fala, proferida num comício que apoiou candidatos locais, voltou a enfatizar a defesa da soberania e teve tom de confronto direto com tentativas de envolvimento estrangeiro na disputa interna.
Segundo o Planalto, o evento reuniu cerca de 15 mil pessoas. Lula aproveitou a agenda de campanha na capital e anunciou que embarca no domingo para a Assembleia-Geral da ONU, encontro que ele mesmo admitiu poder ser sua última participação na cúpula caso não seja reeleito. A promessa de abordar o tema com o presidente norte-americano mistura discurso eleitoral e diplomacia, abrindo possibilidade de tensão externa.
No palanque, o chefe do Executivo atacou opositores por buscarem apoio externo contra o país, acusando adversários de pedir sanções estrangeiras. A crítica tem objetivo claro de mobilizar a base em torno da ideia de defesa nacional, mas também acende alerta sobre o custo político de levar ao palco internacional uma narrativa de enfrentamento que pode complicar a relação com aliados e influenciar o noticiário internacional.
Do ponto de vista eleitoral, a iniciativa busca transformar percepção de agressão externa em fator de coesão para o eleitorado governista, enquanto pressiona adversários a se explicarem. Estavam presentes o candidato ao governo Leandro Grass, as senadoras Leila Barros e Erika Kokay, a primeira-dama Janja e o cantor Kleber Lucas, numa movimentação pensada para fortalecer candidaturas locais e dar fôlego à campanha em Brasília.