Em entrevista ao SBT News, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a sequência que tem marcado a narrativa pública sobre o Banco Master: "criado no governo Bolsonaro e fechado no meu governo", disse. Lula relatou ter recebido, em dezembro de 2024, o então controlador Daniel Vorcaro, que alegou perseguição. O presidente afirmou que determinou que a instituição seria tratada como qualquer outro banco pelas autoridades competentes e ressaltou que não é delegado, promotor ou juiz.

O caso tem roteiro conhecido: o banco, fundado em 1970 como Banco Máximo, foi assumido por Vorcaro em 2018 e teve a marca alterada para Master em 2021, no governo de Jair Bolsonaro. Em novembro de 2025 o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial, considerando a situação irrecuperável. Vorcaro foi preso inicialmente em 17 de novembro de 2025, solto 11 dias depois, encontrou-se com o senador Flávio Bolsonaro e voltou a ser detido em 4 de março de 2026. Ele é alvo de apurações por organização criminosa, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e rombos bilionários.

A investigação ganhou novo capítulo com a autorização para quebra de sigilo no processo pelo ministro André Mendonça, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. Entre os nomes citados nas apurações está o do senador Flávio Bolsonaro, investigado por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O desdobramento judicial amplia o foco sobre movimentações financeiras e eventuais responsabilidades de atores políticos e empresariais.

A fala do presidente reforça o contraste cronológico entre a instalação do banco e sua liquidação, e, ao mesmo tempo, delega ao Judiciário e ao Banco Central a tarefa de esclarecer as responsabilidades. Para o Palácio, a ênfase é institucional: apurar sem interferência política. No plano político, o caso tem potencial de repercussão nas disputas eleitorais e de provocar desgaste para os envolvidos, enquanto as instituições seguem o processo e buscam demonstrar que a resposta foi técnica e não seletiva.