O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em Manaus, que o Brasil não progride quando são eleitas pessoas que não demonstram compromisso com a população. As declarações ocorreram durante a cerimônia de entrega de unidades do programa Minha Casa Minha Vida e procuraram vincular prestação de contas social à mensagem eleitoral do governo, em um momento de proximidade com o pleito.

Lula também voltou a alertar para o impacto das notícias falsas no debate público e criticou o uso da inteligência artificial em campanhas eleitorais: reconheceu benefícios da tecnologia em áreas como saúde e educação, mas sustentou que sua automação aplicada ao processo eleitoral amplia a circulação de mentiras. O recado vem como esforço para moldar a narrativa de campanha e mobilizar eleitores vulneráveis à desinformação.

Na mesma cerimônia, o presidente reivindicou ter sido o gestor que mais entregou casas no país e disse ter encontrado projetos paralisados ao assumir o governo, o que teria exigido revisão de projetos e contratos. Prometeu ainda a contratação de mais 3 milhões de moradias até o fim do ano. Seja como instrumento de política social, seja como peça de mobilização eleitoral, o anúncio cria um cenário de alto risco operacional e político considerando o curto prazo até a eleição.

Além das entregas habitacionais, a agenda do governo incluía medidas com alto apelo eleitoral, como pacote contra o crime organizado e subvenção da gasolina. Num ano pré-eleitoral, o conjunto de ações reforça a tentativa de consolidar o eleitorado popular, mas também amplia o escrutínio sobre execução, custos e eficácia das medidas — pontos que devem ser explorados pela oposição e pela mídia nos próximos meses.