O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta, na cúpula do G7 em Évian, na França, costurar um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para tratar da recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) que aponta a aplicação de novas sobretaxas sobre produtos brasileiros. As medidas, anunciadas em junho, ainda dependem do aval presidencial norte-americano e têm prazo sensível.
O USTR sugeriu duas frentes de taxação — uma de caráter punitivo por práticas comerciais desleais e outra ligada a alegações de trabalho forçado — que, na prática, poderiam resultar em sobretaxas de até 25% e 12,5%. Lula já criticou publicamente a possibilidade e aproveitou manifestações recentes para cobrar do colega norte-americano uma interlocução direta, recorrendo à relação pessoal que vem sendo mencionada entre os dois líderes.
Especialistas consultados pelo Planalto e pelo mercado veem na margem do G7 uma oportunidade estratégica para desescalar a tensão. O fórum, mesmo sem participação formal do Brasil, permite que o governo busque apoio político e apresente argumentos técnicos antes da decisão final das autoridades dos EUA — ato que pode ser determinante para evitar a imposição imediata das medidas.
Ao mesmo tempo, interlocutores do governo afirmam que o encontro precisa ser controlado. A opção do Brasil por priorizar negociações técnicas, via grupo de trabalho, reflete o entendimento de que uma conversa informal, mal preparada ou com atrito público, poderia prejudicar mais do que ajudar. Analistas lembram ainda que tarifas da Seção 301 tendem a ser 'pegajosas': medidas aplicadas no passado, como as impostas à China em 2018, sobreviveram a mudanças de governo nos EUA.
Com o prazo de decisão se aproximando — a urgência para evitar a imposição antes de 15 de julho é apontada por consultores —, o Planalto busca equilibrar a necessidade de cobertura política para o grupo técnico e o risco de criar um episódio público de conflito que aumente o custo diplomático e econômico para o Brasil.