O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou carta dirigida às famílias evangélicas em que mescla apelo religioso e enumeração de medidas com apelo social. No texto, segundo a campanha, ele reafirma respeito pelo segmento, afirma ter chegado ao cargo orientado por uma proteção divina e pede que os leitores peçam discernimento a Deus na hora de votar. A iniciativa será disseminada nas redes e pelo canal 'Cristãos com Lula 13', coordenado pela campanha e por aliados.

O documento lista conquistas e projetos que a campanha apresenta como proteção às famílias: a proibição das apostas online, as chamadas bets, e o fim da escala 6x1 — matéria que estava prevista para votação no dia da divulgação. O argumento público é que essas medidas preservam lares, ampliam tempo de descanso e até permitem maior participação religiosa. A carta é distribuída por lideranças da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo de pastores e ativistas que apoiam o presidente.

Do ponto de vista político, a peça combina linguagem afetiva com itens programáticos de fácil apelo entre evangélicos e trabalhadores: reforça valores familiares e oferece benefícios concretos. Trata-se, na reta final do segundo turno, de uma tentativa explícita de reduzir rejeição e recuperar terreno num segmento que tem importância eleitoral significativa. A estratégia mistura comunicação direta com mobilização de atores religiosos alinhados à campanha.

A ação também levanta perguntas sobre eficácia e limites: recorrer a mensagens confessionais pode aproximar eleitores indecisos, mas dificilmente resolve, por si só, problemas estruturais de imagem. A carta evita promessas genéricas e se apoia em medidas específicas com repercussão cotidiana — exatamente o que o eleitor religioso costuma valorar —, enquanto a campanha aposta na distribuição física e digital para ampliar alcance nos dias decisivos.