Em Brasília, após reunião com a coordenação de campanha, o presidente e candidato à reeleição comemorou o progresso da proposta que altera a escala de trabalho conhecida como 6x1 e se mostrou confiante na aprovação de uma norma que assegure dois dias de folga e cinco de trabalho sem redução salarial. A avaliação transmite ao eleitorado a tentativa de transformar um tema trabalhista em bandeira de campanha, mas a trajetória ainda depende de mais votações no Senado.
O Plenário do Senado realizou a terceira sessão de discussão da PEC na quinta-feira (4); são necessárias ao menos mais duas sessões antes da votação final do texto. No plano político, o avanço dá tração ao governo e cria um quadro em que o Congresso terá de conciliar pressões sindicais e empresariais, além de calcular custos e benefícios eleitorais de aprovar mudanças nas jornadas.
No pronunciamento, o presidente contrapôs sua aposta em gasto público orientado por obras à proposta de adversários de cortar investimentos. Ele lembrou que, ao reassumir a Presidência, encontrou cortes expressivos em programas sociais — citou redução de 59% no orçamento da Farmácia Popular e 50% no Mais Médicos — e criticou a lógica de ajuste que, segundo sua leitura, recai sobre os mais pobres. A crítica coloca em evidência o choque de narrativa entre austeridade e políticas de transferência e serviços.
Lula também defendeu que a redução da dívida passa por investir em ativos reais — ferrovia, hidrelétrica, rodovia — que aumentem o patrimônio nacional e impulsionem a atividade econômica. A colocação reforça a estratégia desenvolvimentista do Planalto, mas complica a narrativa fiscal dos aliados conservadores e exige do Senado uma escolha clara entre ajuste tradicional e uma agenda voltada à expansão de infraestrutura.