O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva transformou a promulgação, no Senado, do fim da escala de trabalho 6x1 em arma de campanha nas duas passeatas que fez em Minas Gerais nesta sexta-feira. Em Juiz de Fora e em Ipatinga, Lula afirmou que a mudança foi uma vitória construída no Congresso e garantiu aos comerciantes que a adoção do novo regime não traria prejuízo ao comércio local, mobilizando militância e simpatizantes em torno de um ganho legislativo concreto.

Ao longo do dia, o ex-presidente buscou vincular a medida a um balanço mais amplo de governo: citou investimentos em escolas de tempo integral e o Programa Pé-de-Meia como exemplos de políticas sociais e educacionais de sua gestão. Na retórica de campanha, posicionou-se como o líder que recuperou o país após o governo anterior e prometeu foco no 'crescimento econômico' em um eventual quarto mandato — uma aposta que tenta transformar realizações em argumentos eleitorais para o segundo turno.

A crítica pública ao almoço de Flávio Bolsonaro com diretores da Globo, no dia em que o candidato do PL concedeu entrevista à emissora, introduziu outro nó na disputa. Lula disse que a relação entre emissora e adversários merece questionamento; a Globo, por sua vez, informou que recebeu Flávio em visita institucional e que o encontro, que incluiu um almoço, não envolveu representantes da área de jornalismo. O episódio abre debates sobre percepção de imparcialidade e sobre a conveniência de encontros institucionais em véspera de entrevistas de campanha.

Do ponto de vista eleitoral, a promulgação do 6x1 dá a Lula um trunfo tangível para ativar a base e tentar convencer indecisos e abstenções do primeiro turno a irem às urnas. Ao mesmo tempo, a defesa pública de que medidas não prejudicarão o comércio e os ataques à relação entre adversários e meios de comunicação podem gerar atrito com setores independentes e empresários, o que exige que a campanha traduza o resultado legislativo em garantias práticas para consolidar apoio no segundo turno.