Em cerimônia em Camaçari, na Bahia, onde foram entregues 386 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas diretas à gestão anterior ao comparar os resultados do programa com o projeto batizado de Casa Verde e Amarela. No discurso, o petista afirmou, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que "amarela é a cara dele de mentiroso", numa frase que reforçou o tom de confronto entre os polos políticos.
A fala ocorreu um dia após o vazamento de conversas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro e a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob suspeita de envolvimento em crimes financeiros. Nos diálogos, segundo o material divulgado, Flávio teria pedido R$ 134 milhões para financiar a produção de um filme sobre o pai — uma movimentação que, além de repercutir por seu montante, reacende questionamentos sobre fontes de recursos e vínculos do entorno do ex-presidente. A assessoria do parlamentar afirmou que, no momento do contato, não havia registros de suspeita contra Vorcaro.
O episódio ganha peso político porque se soma ao contexto jurídico do próprio Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por participação na tentativa de golpe em 2023. A conjunção entre o discurso de Lula e o vazamento favorece um enquadramento público que busca associar o núcleo do ex-presidente a práticas opacas e a narrativa de desgaste. Para a oposição, trata-se de um novo fator a ser neutralizado; para o governo e seus aliados, a ocasião foi aproveitada para marcar diferença de gestão e princípios.
Do ponto de vista eleitoral e de imagem, o confronto tende a acender alerta no entorno do PL: a associação entre pedidos de recursos no mercado privado, prisões e críticas públicas do presidente amplifica o desgaste e complica a narrativa de normalidade em torno da campanha. Resta saber como o episódio será explorado nas próximas semanas por ambos os lados e que efeito concreto terá sobre a reputação do ex-presidente e de seus representantes.