O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nesta quinta-feira (2/6) ao reagir ao pedido do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para adiar a aplicação de novas tarifas comerciais até depois das eleições de outubro. O episódio levou o chefe do Planalto a classificar novamente a atuação da família Bolsonaro como gesto de ‘traidores da pátria’, numa acusação que mistura crítica política e defesa da soberania econômica.

Não é a primeira vez que o tema rende confronto público: em junho de 2026 Lula já havia qualificado Flávio e Eduardo como 'vendilhões' por supostos contatos com integrantes da Casa Branca, e em agosto de 2025 chegou a defender a expulsão de Eduardo da Câmara, após o parlamentar ser indiciado pela Polícia Federal por atuação nos EUA para obstruir investigações. O novo episódio reafirma uma estratégia do governo de personalizar o debate sobre as pressões externas.

Além do simbolismo, a disputa tem efeito prático: o Planalto procura reverter as sanções comerciais diante do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) antes do prazo final em 15 de julho. Ao vincular o pedido de adiamento a um suposto “entreguismo” da oposição, o governo busca desgastar o rival e consolidar apoio em torno da defesa de instrumentos como o PIX e do bloco Mercosul, ao mesmo tempo em que politiza as negociações com Washington.

No campo político, a escalada verbal reforça a polarização e muda o tom da campanha para 2026 — ao colocar a defesa da soberania como linha divisória, Lula tenta transformar um conflito técnico sobre tarifas em tema central de mobilização. Resta ver se a tática consolida apoio e protege negociações internacionais ou se amplia resistências e custos políticos em um contexto eleitoral tenso.