Em discurso na abertura da feira industrial de Hanôver, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu como "maluquice" o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã e direcionou um recado explícito ao governo norte-americano. A fala reforça a tônica de crítica a posturas unilaterais — um dia após ele ter reprovado a prática de ameaças via "tweet" por chefes de Estado — e marca um posicionamento público mais combativo em relação às consequências do conflito.
Lula afirmou que o Brasil é "um dos países menos afetados" pela escalada de preços do petróleo porque o governo adotou medidas para reduzir vulnerabilidade: "o Brasil só importa 30% do seu óleo diesel", disse. A declaração tem duplo efeito político: busca blindar o Executivo de possíveis apreensões econômicas domésticas e projeta a imagem de gestão eficaz diante de um choque internacional que pressiona preços de combustíveis.
Ao criticar a omissão do Conselho de Segurança da ONU, o presidente cobrou ação dos cinco membros permanentes e sugeriu a destinação de recursos gastos em guerra para assistência a migrantes e populações afetadas. A cobrança expõe uma disputa retórica sobre protagonismo multilateral e coloca o Brasil em posição de defensor de soluções diplomáticas, tentando ampliar seu capital político na cena internacional sem romper completamente com parceiros estratégicos.
Do ponto de vista prático, o recado a Washington também funciona como sinal interno: demonstra disposição do Palácio do Planalto em confrontar narrativas externas quando isso for conveniente para a agenda doméstica. Resta saber, porém, se a afirmação de relativa imunidade brasileira aos choques de petróleo se sustenta frente à volatilidade global — uma aposta política que será observada tanto pelo mercado quanto por adversários e aliados.