Em Brasília, na sanção da lei que institui 12 de março como Dia Nacional em Memória às Vítimas da Covid-19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro de “fujão”. Eduardo, que se mudou para os Estados Unidos em fevereiro do ano passado e teve o mandato cassado pela Câmara após a mudança, foi mencionado diretamente no discurso.
O presidente também reforçou críticas à condução da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro, acusando-o de minimizar riscos, resistir às orientações científicas e atrasar medidas eficazes. Lula citou as mais de 700 mil mortes pela doença e afirmou ser necessário apontar responsáveis pela gestão que, em sua avaliação, contribuiu para o elevado número de vítimas.
Ao envolver um membro da família Bolsonaro e qualificá-lo pelo abandono do país, a fala buscou transformar a data em instrumento de responsabilização política. Lula afirmou ainda que adversários no exterior estariam tentando ações antidemocráticas, esticando o confronto público entre o Planalto e a base bolsonarista.
A sanção tem, portanto, duplo efeito: simbólico, ao homenagear as vítimas, e político, ao reforçar a narrativa sobre negligência no enfrentamento da crise sanitária. Em um cenário já polarizado, o episódio acende alerta e complica a narrativa oficial da oposição, pressionando por respostas públicas e por prestação de contas.