O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai qualificar de “covardes” os líderes dos cinco países permanentes do Conselho de Segurança da ONU durante seu discurso de abertura da Assembleia Geral, marcado para terça‑feira (22/9). A declaração foi antecipada em encontro com pastores evangélicos e marca tom direto contra a omissão de potências em crises internacionais.
Segundo o presidente, as nações mais poderosas têm se ausentado do papel de promover a paz — argumento que ele repetirá em Nova York. O Brasil abrirá a sessão e Lula falará antes do presidente dos EUA; a atuação do chefe do Executivo brasileiro tem potencial de provocar desconforto diplomático com Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia.
A fala traz consequências práticas: além do impacto simbólico e da repercussão na mídia internacional, pode complicar articulações bilaterais e multilaterais em temas sensíveis, como mediação de conflitos, votações na ONU e cooperação econômica. Para o governo, a crítica também funciona como posicionamento político externo que dialoga com seu eleitorado e sua narrativa sobre multilateralismo.
A linha dura na tribuna da ONU projeta um custo e um ganho político — chama a atenção para a necessidade de mais protagonismo em defesa da paz, mas também pode exigir do Itamaraty cautela para evitar desgaste em relações com as potências citadas. Lula desembarca em Nova York no domingo e transformará a abertura da Assembleia numa peça central de sua diplomacia discursiva.