O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, de “descobridor de dinheiro” durante a abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, nesta terça-feira (19/5). Em tom de brincadeira, Lula elogiou a habilidade do ministro em otimizar recursos do Tesouro e afirmou que essa “descoberta” não teria relação com o Banco Master — referência às investigações que envolvem a instituição.
Foi a segunda menção do presidente ao caso em menos de uma semana. Na quinta-feira anterior, ao comentar o vazamento do áudio que envolve o senador Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Lula preferiu minimizar e disse tratar-se de assunto policial, declarando que não iria se posicionar como investigador. A repetição do tema em tom jocoso volta a colocar a questão na agenda pública.
O episódio acende alerta sobre o risco político de trivializar investigações sensíveis. Ao relativizar o episódio, o Planalto corre o risco de ampliar desgaste diante da opinião pública e fornecer munição à oposição, que já explora o episódio do áudio — no qual Flávio Bolsonaro solicita R$ 134 milhões para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse. A postura presidencial, mesmo em tom de humor, complica a narrativa oficial sobre seriedade e transparência.
Do ponto de vista eleitoral e institucional, a abordagem exige gerenciamento cuidadoso: o governo precisa evitar sinais que possam ser interpretados como descaso ou falta de compromisso com a apuração. Em ano de pré-campanha para 2026, a repetição de trocas de tom pode custar em credibilidade e ampliar o desgaste que o Planalto já busca controlar.