O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado que encaminhará a Donald Trump 'a fotografia com os números' do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que mostram redução do desmatamento em diversos biomas. A iniciativa, anunciada em ato do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, tem objetivo explícito: responder alegações de que o Brasil seria conivente com cortes e queimadas e, por isso, sujeito a sobretaxas nas exportações para os Estados Unidos.

Os dados citados pelo presidente — divulgados pelo Inpe na sexta-feira e apontando queda no desmatamento da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica e Pantanal entre 2024 e 2025 — são usados por Lula como evidência técnica para rebater um argumento que, segundo ele, teria motivado propostas de tarifas. Ao tratar Trump como 'amigo' e prometer enviar o material, o presidente busca transformar um indicador técnico em peça de diplomacia pública para defender interesses comerciais do Brasil.

Na fala, Lula aproveitou para atacar indiretamente o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, a quem chamou de 'bolsonarista' e afirmou que 'odeia o Brasil e a América Latina'. A menção direta a um influente membro do círculo político dos EUA mostra que a estratégia brasileira mistura comunicação técnica — com dados do Inpe — e confronto político, numa tentativa de influenciar percepções em Washington sobre a realidade ambiental no país.

A ação revela duas preocupações simultâneas do Planalto: proteger o mercado externo contra medidas protecionistas e recuperar a narrativa sobre a gestão ambiental. Ao transformar estatísticas científicas em instrumento de pressão diplomática, o governo sinaliza que entende o custo político e econômico de acusações de conivência com o desmatamento. Resta ver se a estratégia terá efeito prático sobre eventuais propostas de sobretaxa e como será recebida no ambiente político dos EUA.